Homenagem ao Tinga

Apesar de não ser associado, eu sempre me identifiquei com a Camisa 12. Pode ter sido a vizinhança, já que normalmente sento próximo da bancada, pode ter sido as amizades, já que tenho colorados como o Charles Cabeludo ou o TT como parceiros "até pra um serviço ruim", pode ser apenas a memória de crescer vendo a 12 animando o Beira-Rio com sua charanga e suas músicas carnavalescas, mas a real é que sempre tive o maior respeito e o maior carinho pela torcida.
E foi assim que eu conheci o Tinga. Um sujeito que tinha alegria na responsabilidade, conseguia ter disposição na gordura e era respeitosamente irreverente.
E, de repente, vem a notícia de que o Negão perdeu a última partida, e fisicamente não pode mais formar com seus companheiros.
Não que sirva de consolo, mas a verdade é que o Negão conseguiu ver o Inter conquistar todas as glórias possíveis, participou ativamente do ressurgimento da Camisa 12, e até o último momento estava viajando, torcendo, cantando e fazendo festa com o Colorado.
Com certeza, a morte do Tinga nos deixa todos mais tristes, e abre um imenso espaço vazio na arquibancada do Beira-Rio. Se o lema da Camisa 12 é "Somos a resistência", teremos todos que resistir ao pior de todos os adversários, que é a ausência e a saudade dos amigos.
Como diz o samba - que sempre fez parte do espírito da Camisa 12 - "na arquibancada tá faltando ele, e a saudade dele, tá doendo em nós."

Vai em paz, Tinga. Eu tenho a certeza de que se Deus te escolheu primeiro é porque alguém tinha que colocar as faixas, entrar com os instrumentos, comprar a cerveja e deixar tudo pronto para a nossa chegada.
Ronald Gordo - Torcedor não associado

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